21 de abr. de 2009

mais uma dose

quase morri de frio ontem a noite. é verdade que poderia ter morrido de overdose ou por um coma alcólico também. mas o frio tava de matar. é que fui pra carlos barbosa no feriado. carlos barbosa é uma cidade na serra do rio grande do sul com pouco mais de vinte mil habitantes e alguns verdadeiros amigos e que faz frio pra caralho no inverno - e outono também pelo jeito. fui pra lá conversar com meus pais, discutir algumas pendências no relaciomento e, puto da cara após isso, voltar na manhã seguinte pra porto alegre. só que acabei ficando os quatro dias do feriado lá.

como de costume, chego direto na casa de um amigo. enrolamos um baseado e saimos pela cidade caminhando, conversando e encontrando sempre as mesmas pessoas. aliás, aquela cidade é sempre a mesma coisa. mas esse feriado serviu pra eu perceber que minha memória só dura três anos. não me lembro como era em 2005, quando ainda morava lá por exemplo. e não é esqueçer os anos ou os acontecimentos, me esqueço, esqueço de como eu era, o que fazia e como falava. não lembro de nada e fico imaginando como os outros me viam. porque pra mim mudei, apesar de chegar lá e sempre fazer as mesmas coisas.

desisti disso na segunda noite, foda-se como eu era e o que mudei de lá pra cá. agora to aqui, desse jeito e é assim que nós vamos sair essa noite. mas não vou ficar aqui contando do feriado. das tardes rodando pela cidade de caranga ouvindo um som, tomando um chimas e fumando um baseado. das noites regadas a vinho, das conversas sem sentidos, dos risos altos, de não largar tudo, nem carreira nem dinheiro e muito menos o canudo. das idas as cidades vizinhas, das velhas pessoas novas todas as noites, do frio que mata. não vou contar tudo. só o domingo.

o domingo que acaba as 4 e meia da tarde, no ensaio da minnha ex-banda, o onibus partindo as 10 pras cinco e eu cantando por que a gente é assim...

14 de abr. de 2009

o dia em que perdi o emprego #1

fui demitido hoje. culpa da crise, a econômica. conversamos por horas, recebi o dinheiro que tinha que ganhar e fui embora, era umas 4 e meia da tarde. no caminho entrei num estúdio de tatuagem. fazia uns três anos que decidira fazer uma tatuagem, o desenho já tinha sido escolhido, só faltava o lugar - do meu corpo, não o estúdio. nos últimos meses andava com o desenho sempre na mochila, mas nunca tinha me animado a fazer. entrei, perguntei quanto custava, vi que o dinheiro que ganhara cobria a tatuagem e ainda sobrava alguma coisa, afinal, era só o dia 15 do mês.

- No braço, eu disse, e o cara foi lá desenhar pra ver se eu aprovava. não passou trinta minutos e ele já enrolava aquele papel transparente em mim e dava algumas recomendações quanto ao sol e outras coisas. ficou legal. doeu um pouco, mas ficou legal.

sai do estúdio e entrei no primeiro bar que vi na esquina. comprei umas latas de cerveja e na hora de pagar, mesmo destro, usei o braço esquerdo - queria mostrar a tatuagem. a atendente deu uma olhada mas em nada reagiu. tudo bem, aquilo era pra mim mesmo. peguei as cervejas e fui pra casa, meu braço ainda latejava um pouco, meu bolso reclamava demais em minha cabeça e a cerveja gelava no congelador. tudo vai bem, pensei. ainda tenho uns trocados e uma tatuagem.

9 de abr. de 2009

sobre a 116

ontem eu pensava em 2011. na viagem que eu e o bruno iremos fazer. idéia dele, uma grande idéia. atravessar a br-116, de jaguarão a fortaleza, sem tempo, sem previsões. tava pensando na loucura que vai ser. nas pessoas que vamos conhecer, nos lugares, nas experiências, em tudo. um misto de ansiedade e medo me bateu ontem ao pensar em tudo isso. deixar pra trás porto alegre, amigos, família e tudo o mais. não é pra sempre, mas vai ser por um longo tempo.
isso me assusta, mas também me anima.

e ontem, quando pensava em tudo isso, lembrei da chave de casa, a chave do apartamento 12 do prédio 544. esse lugar que a pouco tempo existe mas já tem várias histórias e que um dia pretendo contar. tava pensando no que fazer com a chave do ap, afinal ela é única. não existe cópia, ninguém mais a tem. pensei em levá-la junto na viagem, atirada num bolso fundo da mochila. ou então deixar ela aqui em porto alegre mesmo, nas mãos de alguém, de algum amigo. ou ainda deixar com os meus pais lá em carlos barbosa, porque meus pais são a minha familia e pra familia, cedo ou tarde, agente sempre volta.

pensei em tudo isso porque se eu levá-la junto provavelmente a perco, junto com a mochilha em alguma ocasião. fora que a probabilidade de roubarem todo o pouco que tivermos é grande, e assim, lá se vai a minha chave junto. e eu não quero voltar aqui, não sei quanto tempo depois, e ter que pedir para um chaveiro arrebentar a minha porta, não é essa a recepção que espero ao entrar em casa. só quero abrir a porta, pegar uma cerveja que deixarei estratégicamente guardada e me atirar no sofá da sala e rir de tudo que iremos passar.

e fiquei horas pensando no que fazer com ela: deixar com o couto, com a carol, com o leandro, com o guilherme, com a alice, com o feli, com o jones, com minhas primas, tias, esconder ela em algum lugar - idéia estupida, lógico. sei que não cheguei a conclusão nenhuma. mas sei que vou fazer uma cópia e mandar lá pra carlos barbosa, porque, do jeito que seja, meus pais vão estar ai quando voltar.
mas a minha chave, essa, eu levo comigo, lá no fundo da mochila.

2 de abr. de 2009

a duas doses abaixo
estou
agora
vem cá
e senta do meu lado

30 de mar. de 2009

depois do bar, lá em casa, nos dois...

eu queria que tu estivesse aqui
ou alguém qualquer
mas que alguém estivesse aqui
é que eu tava naquele bar bebendo. como agente sempre fez
e eu voltei pra casa e confesso, estou meio bêbado, e sozinho
e queria que tu estivesse aqui pra ficarmos transando a noite inteira, bebendo mais um pouco, fumando alguma coisa e lembrando de como eramos ridículos antes de tudo isso.

27 de mar. de 2009

544 ap 12 - #2

e quando eu voltei pra casa, depois de termos saido do bar, eu abri a garrafa de whisky que tu me deu e bebi toda, esperando que tu voltasse atrás e tocasse a campainha dizendo que tinha desistido e queria subir. mas isso não aconteceu. eu fiquei até as cinco horas da manhã esperando pra ver se isso acontecia e nada, nada, nem um ligação ou uma mensagem. um grande cretino eu, esperando que tu venha atrás depois de tudo o que aconteceu. mas fazer o que, a canalhice as vezes é uma simples defesa.
e então eu durmi, bêbado, de roupa no sofá da sala. na minha cabeça alcóolica se afogavam desejos e curiosidades de como seria se tu tivesse voltado; e saudades dos amores feitos no carnaval, há dois dias atrás.
e quando acordei, já com o pouco de luz que entra nesse apartamento direto nos meus olhos, vi a garrafa de whisky no chão, os cinzeiros cheios, as latas de cerveja na mesa, o baseado fumado em cima duma capa de disco e agradeci, agradeci por ter acordado sozinho, apenas com o que sobrou pra servir de lembrança.

23 de mar. de 2009

do nosso amor e odio

a pior coisa que tu fez foi chegar aqui em casa, na noite do meu aniversário, com três garrafas de vinho, bebermos duas e ai tu quebra o abridor na segunda garrafa, acaba com ela e vai embora. Tu sabe que ando sem dinheiro e que preciso beber no minímo todas as noites. Tu sabe que a minha garrafa de whisky tá nas últimas e que eu prefiro a ressaca de vinho, por pior que seja. Tu sabe e ainda me deixa em casa com uma garrafa de vinho e um abridor em duas partes que não serve pra nada. Como se não bastasse tu anda questionando a minha masculinidade pra deus e pro mundo só porque algumas noites não quis transar. Preferia fumar aquelas porras de baseado e ficar te olhando falando um monte de merda e depois rindo de tudo aquilo. Ou ficar olhando a tua cara, com um sorriso na boca meio desconcertante querendo saber se hoje eu te beijaria e se te comeria, com amor ou não. E tu ainda fica me chamando de menino por não querer te ver todas as noites ou acordar contigo todas as manhas. Tu sabe de tudo isso e me deixa em casa com a porra daquela garrafa de vinho, sem um abridor. Logo eu que te fiz começar a beber e agora tu bebe todas as noites, tu me deixa em casa sem dinheiro e com uma garrafa de vinho em que não posso tocar.. Fazendo cinema ou fazendo cena, tanto faz - amanha te ligo e peço um abridor.

6 de mar. de 2009

por aí

saindo do cinema. bebendo uma garrafa de vinho sem rótulo, enrolada numa sacola de papel marron. fumando um cigarro. andando nas ruas do centro de porto alegre. dez e pouco da noite com uma fina chuva e até um pouco de frio, a seguinte conversa:

bruno - bah, to escrevendo muito ultimamente, lendo muito, bebendo muito. também né, não fui pra aula nenhum dia até agora.

ricardo - puts, eu não to escrevendo nada, lendo muito pouco e bebendo como sempre. também, fui na aula quase todos os dias até agora

...

26 de fev. de 2009

"longe daqui aqui mesmo"

como seria se trocassemos desejos. como seria se deitassemos na cama, rolassemos no chão
como seria se abrissemos nossas calças. como seria se estivessemos nus, despidos de culpa, dúvidas
como seria se aceitassemos nossos corpos na cama
como seria nossas pernas enroladas, pele com pele, pelo com pelo, peito com peito
como seria se trocassemos promessas com as mãos, satisfazendo desejos
como seria
um beijo?
como seria provar nosso gosto, gozo
como seria o nosso sono, nosso sonho
como seria o encontro dos nossos pés
como seria teu sexo com o meu
como seria o teu gosto
como seria
a manhã seguinte?

5 de fev. de 2009

pro ego

foi minha mãe quem me deu o melhor elogio
dizendo que ela e o meu pai achavam meus textos uma falta de respeito!

30 de jan. de 2009

544 ap 12

casa nova
vida nova
porém,
os mesmos vícios

27 de jan. de 2009

vazio!?

20 de jan. de 2009

a cerveja acabou e nada vai bem #6

cara,

tu poderia aparecer aí
na cadeira da frente
do outro lado da mesa
nem que fosse pra nós ficarmos olhando pro nada

19 de jan. de 2009

de mim, as piores lembranças #2

num lado, ficam perguntando se já falei com ela, querendo saber se já me comprometi contigo

no outro, dizem que tenho medo, por que nao assumo o nada e não te dou sentido

e no meio eu
tentando ser o que sou

13 de jan. de 2009

a cerveja acabou e nada vai bem #2

eu preciso de uma noite daquelas
de bar em bar
de estrela cadente pra estrela cadente
de sinos da igreja tocando música de terror
d'agente pirando
como se fosse a primeira vez

8 de jan. de 2009

quando a canção acaba ela vira música #56

vem cá
vamos tomar uma cerveja
assistir algum filme do bertolucci
fumar alguns baseados
dormir junto

vem
já cansei da minha companhia

3 de jan. de 2009

notas de um padrinho bêbado #3

e a minha mãe tava ali dançando
era natal, acho que já era umas três horas da manhã e duas caixas de cereveja.
e ela dançava.
na mão taças, garrafas de cerveja e de champagne passavam e deslisavam de copo em copo
alguns fantasiados, algumas músicas ruins tocando e animando aquela "festa".
e ela dançava.
então chegou um tio meu e dançou com ela
e eles rodopiavam, riam, derrubavam as bebidas dos copos, das mãos e das mesas
e ela dançava.
e eles dançavam.
e aquele irmão dela gordo, escroto, politíco do PP, separado da minha tia que agora mora com uma mulher como nome flor
aquele tio dançava com a minha mãe.
girava ela e ria com ela e abraçava ela e a mão dele deslisava nas costas dela, apertava a bunda dela, entrava no vestido dela, masturbava a minha mãe.
e ela dançava.

e o meu dindo bebe outra cerveja
e tenta falar de literatura comigo.