10/11/2009

um chá inglês sem leite pra não esquecerem de mim

no almoço, uma xícara de chá com bolachas água e sal. Chá inglês, do país da rainha mesmo. Ai a tarde se arrasta e a chuva fina e o frio voltam a soprar nas janelas aqui de casa. E uma puta dor de garganta começa a dar sinais depois de alguns dias andando por ai debaixo de chuva sem rumo algum. E depois de encarar uma pilha de pratos sujos da época em que ainda cozinhava alguma coisa por aqui, sem não antes receber um

- e faça um bom trabalho com esses pratos imundos.

caio na cama e deixo o tempo passar um pouco mais. E o dinheiro que serviria para continuar a ter pilhas de pratos imundos na pia é substituido pelo Big Sur do Kerouac e o Amor é um cão dos Diabos do velho Buk. Mas a porra do curso de jornalismo me obriga a ler O Monge e o Executivo. Coisas que só a faculdade pode te proporcionar. A puta com essas merdas de auto-ajuda. Caio matando uns poemas do Bukowski e me divirto com quem realmente tá lendo essas porras que nos indicam.

mais algumas xícaras de chá pra enganar o estômago junto com mais algumas bolchas água e sal. De consolo, o chá inglês mesmo. Bom saber que lembram de ti quando tão lá do outro lado do mundo.

09/11/2009

me faço de louco
.....estrago um pouco
essa vida normal

04/11/2009

alguém ainda fode com a gente, as drogas ou os desencontros.

acho que já fazia uns cinco minutos que eu tava ali, chupando e masturbando aquela boceta e nada do meu pau subir. Só pode ser essa droga que já vem malhada, muito antes de qualquer coisa acontecer. é melhor eu acreditar nisso

- olha só, não ta rolando. esse pó fudeu comigo

- ah não, vai ter que dar um jeito

- que jeito, porra, só amanha de manhã, quando a bucha acabar e a gente acordar.

- nem pensar.

e ai ela pegou um creme que passava sempre que saia do banho e besuntou meu caralho com aquilo. Massageava toda a extensão do meu pau, as bolas, e, safada como era, passava um pouco no meu cu. Ela sempre tenta enfiar o dedo no meu rabo enquanto a gente fode. Descobri com um amigo que ela tenta fazer isso com todos, ou pelo menos sempre com nós. Mas não querida, no meu rabo não.

- to te falando, nem isso vai adiantar. É melhor a gente sair e tomar umas cervejas do que ficar aqui tentando levantar essa porra.

- puta que pariu, amanhã tu vai ter que dar um jeito nisso, se não já eras pra nós.

- amanhã baby, amanhã sempre se dá um jeito.

e ela levantou e sentou na minha cara.

- te vira com a boca por hoje.

foi a única coisa que pude fazer.

já tava na merda mesmo então resolvi acabar com o resto de septo que tenho no nariz. Eram três da manhã quando decidimos entrar numa festa que acontecia no lado do bar. Não fazia a mínima ideia do que tava rolando lá dentro,  mas era entrar naquela casa preta, molhada com o suor que escorria pelas paredes num dos dias mais quentes da cidade e deixar o efeito passar. Pelo menos assim, naquela noite, teria entrado num buraco preto e molhadinho.

tava insuportável naquele lugar. Eu tinha uns vinte reais no bolso e torrei tudo em cerveja pra ver se o calor diminuía. muito pelo contrário, a garota do bar só fazia ficar mais quente com as trovas que me passava quando pedia uma bebida. Mas é sempre assim, bebo duas garrafas, vou três vezes ao banheiro. Devo ter um problema de bexiga que não retém o liquido certamente, ou a minha é menor que as normais, sei lá. Foda é que toda vez que ia mijar, segurava aquele caralho mole e cheio de creme e só pensava que não podia falar com a  garota do bar, se não nunca mais teria alguma chance qualquer. Um amigo já me disse, namorar garotas do bar é foda, mas pelo menos tu descola umas bebidas de graça.

Acabou o dinheiro, a cocaína e meu saco praquele calor todo. Sai sozinho do bar, a garota do creme deve ter ficado puta com a minha incapacidade de fuder naquela noite e sumiu na multidão. Ela tinha uma chave do ap, não ia correr atrás. Antes ainda encontro uns camaradas que me convidam para uma última partida de bilhar, não vou dizer não para os amigos.

- e ai, a noite, foda?

- foda, foda, muito foda.

-comeu alguém?

- bem que tentei.

- como assim?

- essas drogas né velho.

- caralho meu, isso vai foder contigo.

- acho muito difícil isso me fuder, muito difícil

acabou as fichas, as moedas e qualquer coisa que te mantém na madrugada até o dia dar as caras. Fui pra casa, tentar dormir era o que restava. Não foi tão difícil, tirei a roupa e capotei na cama.

Acordo no outro dia de pau duro, loco pra mijar. Olho pro lado e garota não tá na cama. Deve ser por isso que a gente não da certo. Os desencontros acabam com qualquer coisa.

29/10/2009

de rotina ja me basta todas as semanas, porra

eu to afim de escrever sobre alguma coisa, mas ainda não sei o que.

na verdade to na expectativa desse feriado. to a semana inteira afim de tomar umas cevas durante a tarde inteira. fumar uns baseadinhos e ficar atirado na sala conversando merda com a trupe. depois sair na noite, e ai nunca se sabe o que vai acontecer. pode ser tudo ou nada. eu prefiro o tudo e as vezes não me lembrar de nada.

ando vendo a trupe bastante esses últimos meses. ta bacana pra caralho. quando não aguento mais porto alegre, me atiro dentro dum ônibus e duas horas depois já to na cidade da tribo fumacê. mesmo que ficar dois dias lá já me encha o saco novamente, pelo menos tem o pessoal. E as tardes inteiras sentados na frente da locadora olhando as bundas que passam por ai.

Talvez a trupe venha de bando pra cá esse feriado e ai eu não sei muito bem o que pode acontecer. melhor assim, não? de rotina já me basta a semana inteira.

26/10/2009

zero horas de sono em dois dias (ou bate e volta c. barbosa - porto alegre)

que deus me perdoe pela ressaca. São nove horas da manhã e eu to aqui, apoiado num confessionário pagando todos os meus pecados ouvindo essa missa. Sabe como é, me tornei padrinho 11 anos atrás e participar da primeira comunhão da afilhada faz parte disso também. Não posso reclamar, as poucas vezes que encontro com ela me divirto um bocado, e afinal, uma puta ressaca pode agüentar uma missa, não é não?

a noite de ontem foi foda. Misturou aquelas noites em que ta tá prestes a sair, mas tudo em volta te diz pra ficar. E ai tu sai e a primeira garrafa de cerveja ainda não desce como deveria descer e os papos com os amigos não rolam como deveriam rolar e tu fica atirado num sofá pensando que hoje a noite não ta prestando. Mas ai o estômago começa a trabalhar, tu vai digerindo tudo que aconteceu antes e a cerveja já escorre muito mais fácil dentro de ti e as risadas começam a surgir e tu resolve levantar do sofá, colocar um som alto e pá! aparece alguém com a ideia de ir pro bar. é sacana essa noite, ela te testa pra ver se tu merece sair com ela ou não.

e é ai que ela aparece pra ti, quando ela saca que tu ta nela mesmo com tudo girando contra. E ela vem em forma de sinuca, ou de drogas que te deixam uma pilha, ou drogas que te fazem dormir e rir. Recompensa, ela te recompensa por ter deixado a desconfiança pra trás e saído mesmo pensando que não deveria. E tem vezes que a recompensa é demais.

- perdido ai?

- perdido, eu? há muito tempo...não lembro de ti.

- não, tu nem me conhece na verdade.

- prazer então.

- hehe, prazer

- ....

- ....

uns goles na cerveja, o amigo que te cutuca ao lado.

- quem é essa mina meu? Gata pra caralho.

- não sei também velho.

e tu volta pra falar com a garota e ela já foi embora. A noite te presenteia, mas tu tem que desempacotar o embrulho sozinho. E rápido, antes que alguém faça por ti.

nunca me dei bem com as garotas mesmo. Essa história de chegar puxando assunto e ai tem que cuidar pra não dizer tudo que pensa, porque, provavelmente, ela se espantaria com a quantidade de besteiras que seriam. Ou não, vai que ela pense as mesmas porras que eu. Mas ai a cabeça mergulhada na mistura de drogas para dormir e rir e drogas que te deixam uma pilha fazem efeito acabo pensando de mais na minha viagem, e esqueço de falar qualquer coisa. Mas tudo bem, só mais uma noite sozinho é o máximo que pode acontecer.

e a missa acaba. Mas o gosto na boca e a dor de cabeça da ressaca não. E como já são quase meio-dia, um almoço pra celebrar o corpo de cristo que invade mais uma pessoa é inevitável. Não vou reclamar, faz alguns dias que ando a base de miojo com salsicha. Mas é muita comida, não consigo nem olhar praquele monte de carne com queijo e molhos diversos, ou aquela massa, as batatas fritas altamente gordurosas, puts é muita comida pro meu estado físico e mental. E ai vem o momento crucial, as bebidas. Porra, de cara pensei na história que o bruno bandido sacou. Algo como “só um bêbado pra achar uma boa ideia continuar a beber pra não passar mal pela ressaca.” E nesse dia eu era um bêbado e achei aquela história nem um pouco idiota. Uma cerveja, por favor.

zero horas de sono em dois dias, era esse o estado que eu estava quando começou o grenal. Puts, futebol sem cerveja não é futebol, e como a cerveja do almoço manteve meu estado entorpecido afastando a ressaca, mais algumas nos próximos 90 minutos então. Quase dormi nos 15 minutos do intervalo. Quase não, dormi na mesa do bar nos quinze minutos do intervalo. O jogo se arrastou pelo segundo tempo e a hora do meu ônibus partir já tava chegando. O inter ganhou e deu tempo d’eu alcançar o ônibus .

sentei num banco ao lado da janela, coloquei os fones no ouvido e apertei um play nos Rolling Stones. Um tempo depois acordo com a Ângela Rô Rô cantando "Meu mal é a birita", sorrio de canto, viro pro lado e volto a dormir.

23/10/2009

tempo até tenho, vontade é que anda difícil

caralho, faz muito tempo que não escrevo nada por aqui. e nem por lugar algum é bem verdade. até ando tendo algumas ideias enquanto circulo de ônibus pela cidade, ou quando torro minha grana em latões de brahma que insistem em me deixar com uma puta ressaca todas as manhãs quando levanto cedo. a maioria dos latões ainda tão jogado lá em cima da mesa. ando deixando as coisas tudo assim mesmo, jogadas num canto, em cima de algo, mas nada no seu lugar.

quando fui recolher o lixo hoje, fazia alguns dias que ele já transbordava, só senti latas de cerveja e um fedor de cinza quando fechei a sacola. tem tardes que a gente liga o foda-se de vez e passa bebendo, fumando e as vezes descola um cinema, ou uma parceria afim de fazer um tatuagem na hora, na pilha, no auge da piração.

e enquanto isso vou tendo algumas ideias e esquecendo várias na manhã seguinte. mas anda tudo tão arrastado que nem pra sentar nesse computador e escrever algo ta rolando. fazer o que né, acho que um dia isso vai mudar. uma hora a cabeça explode com tanta merda que a gente fica adubando ali dentro.

17/10/2009

uma pequena história

eram dez horas quando se encolheu na cama. as pernas cruzadas, as mãos entre as coxas e as costas arqueadas. antes colocou um disco do bob dylan num volume muito baixo, só para ter um ruído ao fundo. apagou as luzes. pronto, estava feita sua sexta-feira a noite.
agora, era só fechar os olhos e esperar que o tempo passasse.

13/10/2009

"carnaval inesquecível na cidade alta"

acordar cada dia do feriado em um canto diferente da casa sem saber como parei aqui. ou porque to sem roupa, ou porque ainda to de tênis. a úncia certeza é que a cabeça, todas as manhãs, vai tá ainda girando, latejando, e a garganta pedindo por água, ou outra cerveja, o que melhor convir.

12/10/2009

pro ego II

"valorizando quem sabe
...levar a vida fácil...
.fácil, fácil..."

05/10/2009

#35

até os jornais de hoje
com notícias de ontem
..............chegaram
....e eu
ainda nessa mesa de bar

03/10/2009

aquelas sextas que por mais que a gente chape, tudo em volta ainda é careta

uma sexta-feira a noite sem chuva, finalmente. depois de umas cervejas e um peça de teatro, outro bar e outras garrafas. na verdade acho que já faz umas seis horas que estamos por ai bebendo, andando dum bar pro outro, trocando algumas palavras, poucas risadas, acompanhados duma cara de sono.
pego um táxi pra voltar. os dez reais que me restam no bolso, pro resto do final de semana, não resistem ao trauma duma quase faca enfiada no estômago. ou das coronhadas que aquele cara recebeu essa noite por chutar um homem. gasto cinco e atravesso o viaduto mais fodido. em casa um pornô barato num canal aberto. gozo em cinco minutos.
tem algo mais deprimente que isso?

23/09/2009

um bar escroto com um punk do velvet nas caixas de som

tumtum pápá, tumtum pápá, tumtum pápá
fazia o som da bateria naquela noite. rápido, frenético.
e as pessoas continuavam andando. eu, atrás

tumtum pápá tumtum pápá tumtum pápá
do banheiro saia direto pro bar
uma linha, uma dose de whisky
uma garota sentada fumando um cigarro

tumtum pápá tumtum pápá tumtum pápá
- e ai, tranquilo?
a fumaça jogada na cara
- oi
- olha só, já te vi por aqui, não? nesse bar, nesse mesmo banco, com esse mesmo cigarro?
- eu costumo fumar esse cigarro
- queres um pouco?
a bebida displicentemente levada pra frente. Um pouco cai direto pro vestido dela
- valeu

tumtum pápá tumtum pápá tumtum pápá
- olha só, vou ali no banheiro
a fumaça, novamente, na cara
- é..pode ser, vou junto

tumtum pápá tumtum pápá tumtum pápá
no banheiro o vício é estendido em cima da carteira
a garota sentada na privada, de vestido e pernas abertas
segurando meu copo de whisky

tumtum pápá tumtum pápá tumtum pápá
uma em cada narina
duas pra cada um
ela levanta e bebe todo meu drink
- me paga outro?

tumtum pápá tumtum pápá tumtum pápá
- um whsiky
....
- valeu
o show continua.
tumtum pápá tumtum pápá
saimos pra dançar

tumtum pápá tumtum pápá tumtum pápá
luzes de diversas cores, as pessoas se esbarrando
pulando e dançando
na pista eu ja tava enlouquecendo, a garota derrubando minha dose de whisky
jogando o cigarro fora e me dando um beijo

tum.. tum pá.. pá...tum.. tum pá.. pá
agora a bateria já soa mais devagar.

18/09/2009

rock n' roll, obrigado

O cabelo já não balança freneticamente como antes, quando acompanhava o ritmo do corpo que ainda não se mantinha comportado junto ao banco do piano. Isso deve ser algo do preço que se paga por assumir um dos galhos principais da árvore genealógica do rock n’ roll.

O tempo passa e os efeitos são visíveis em um homem de 73 anos. Visto da rua poderia ser um velhinho qualquer, desses que passam as tardes no parque admirando as garotas, com olhares perdidos num ponto fixo distante e que, provavelmente, riem por dentro ao lembrarem do passado. Mas é só vencer a distância entre o backstage e o centro do palco, onde um piano preto de cauda o aguarda. Sentar sem dirigir uma palavra para a platéia que o ovaciona. Estralar os dedos e deslizar as mãos nas teclas brancas e pretas com uma intimidade cinqüentenária. É ai que se percebe, aquelas mãos nunca vão envelhecer. É Jerry Lee Lewis, baby, o pai mais endiabrado desse eterno jovem inconseqüente chamado rock n’ roll.

O garoto de Lousiana que aprendeu a tocar sozinho aos 8 anos de idade trocou a música gospel por um ritmo considerado do diabo lá nos idos dos anos 40. Aproveitava o vacilo de familiares e corria para um dos bairros negros próximo de onde morava. Num desses casebres descobriu que o piano poderia ser muito mais que um simples acompanhante calmo e angelical. Vendo a festa que faziam ao som de um blues rasgado, cantado com aquela voz cheia de pigarro que só os bons bluseiros poderiam ter, Jerry Lee Lewis despertou pra música, e de quebra ganhou seu primeiro sucesso, Whole Lotta Shakin’ Goin’ On. A mesma canção que encerrou o show do Killer sessenta anos depois, no dia 16 de setembro em Porto Alegre, numa apoteose ao bom, velho e original rock n’ roll.

Apoiado pela banda de Kenny Lovelace, o mesmo guitarrista que acompanha Jerry Lee desde 1965, o músico subiu ao palco para um show direto e rápido, seguindo à risca os princípios de um bom matador. Trocava poucos olhares com as duas mil pessoas que assistiam embasbacadas a performance. Mas mesmo assim Lewis se sentia a vontade, nem um pouco intimidado com quantidade absurdas de câmeras que filmavam e fotografavam, ou com o público que chutou as cadeiras para trás e dançava ou apenas olhava e gritava em transe as canções pouco conhecidas. Tão a vontade que esquecia o microfone ligado em sua frente e conversava com a banda entre uma música e outra. Pedia para os músicos o lembrarem a canção, ria dizendo numa voz rouca que esqueceu a letra. Mudava a ordem na hora e como recompensa para o público que não parou sequer um minuto, emendou duas músicas não planejadas no set list original. Do velho amigo Chuck Berry, o mesmo que recusou se apresentar antes de Lewis num show no final dos anos 50 e fez com que o Matador ateasse fogo no piano e continuasse a tocar até o instrumento suportar, Jerry Lee sacou Roll Over Beethoven e Sweet Little Sixteen.

Entre um clássico eletrizante colocando o público a caráter, com direito a vestido de bolinha, jaqueta de couro e topetes minuciosamente preparados, para dançar e canções da época country e pouco conhecidas, Jerry Lee Lewis fez um dos melhores shows do ano em Porto Alegre. Mesmo ficando cerca de 30 minutos no palco as pessoas presente não podem se queixar. A não ser pelo saudosismo e o gostinho de quero mais que ficou no ar logo após a banda, já sem o pianista, encerrar o show.

Mesmo sem realizar movimentos que deram jus a fama de rebelde, como chutar o banco para trás e continuar a música em pé, sentar sob as teclas ao final das canções, tocar com os pés, subir num pulo só na calda do piano e cantar rebolando para o público num frenesi alucinante logo a baixo, as mãos do músico estavam lá. As mesmas mãos que Sam Phillips, da gravadora Sun Records, a que lançou Elvis Presley, afirmou serem a união do negro com o branco, a origem do rock n’ roll. E essas mãos não decepcionaram, pareciam não sentir os 73 anos e três ataques cardíacos que o mesmo corpo sofrera. Elas escorriam pelo piano rápidas, agressivas, diabolicamente a vontade naquele lugar.

O tempo passa e Jerry Lee Lewis supera tudo o que reservaram para ele. Seis anos de rejeição após descobrirem o casamento com a prima de segundo grau, de apenas treze anos na época. Cirurgias de risco. O abuso de álcool e drogas. Diversos casamentos rompidos. Duas mulheres mortas. Dois filhos mortos. O Matador passa por tudo sempre acompanhado do piano. Não parou de tocar sequer uma vez nesses mais de cinqüenta anos de carreira. Foi da fama ao lixo e voltou por cima, mais uma vez. Ainda grava canções inéditas, mesmo admitindo ser extremamente difícil decorar as letras. Ainda vive ao estilo selvagem que o consagrou. Basta ver a escolha feita quando perguntado numa entrevista se preferia o céu ou o inferno. Não teve duvidas, escolheu o inferno. Jerry Lee Lewis é o próprio rock n’ roll, e Porto Alegre pode confirmar isso numa noite qualquer de quarta-feira.

Fotos: Lívia Stumpf


12/09/2009

quando a canção acaba ela vira música #26

todo bêbado
..acha o seu lugar
o meu
.é no fundo de um bar

10/09/2009

língua pop - segunda edição!!

tá no ar a segunda edição da revista virtual que eu e o bruno bandido estamos fazendo, o língua pop!!

essa edição é especial da geração beat. nela tem uma conversa muito bacana que tivemos com o Pablo Beat, um uruguaio mucho loco que viajou por toda américa do sul lá nos anos 70.

também tem uma matéria onde vários escritores comentaram sobre seu livros beat preferido. Uma galera muito boa participou: Ricardo Carlaccio, Claudio Willer, Mauricio Arruda Mendonça, Leo Felipe e Celso Borges.

o Maestro Gentilesa fez uma matéria que liga o disco alucinante Tijuana Moods, do Charles Mingus, e a última parte do On the Road, quando o kerouac conta das pirações no méxico chica.

e ainda tem um puta texto do Fábio Reoli sobre as putices das proibições que tão acabando com São Paulo. o Fábio cria imagens sensacionais e critica muito bem essa palhaçada que a dupla serra/kassab ta promovendo e que tá se espalhando pelo brasil - pra fuder de vez com a gente.

é isso, tem mais coisas, entrem lá e aproveitem que é tudo liberado.

linguapop.wordpress.com
linguapop.wordpress.com
linguapop.wordpress.com
linguapop.wordpress.com

07/09/2009

não que eu reclame da solidão. até gosto quando ela chega do nada e te faz companhia por uns dias, te satisfazendo os desejos, abrindo as pernas, deixando tu fazer tudo o quiser com ela, sem reclamar ou pedir pra fazer um chá na manhã seguinte. mas é foda quando ela vem e não te dá um beijo na boca, não te convida pruma noite em claro regada a bebidas e cigarros. quando ela fica te lembrando que no outro lado da cidade te deixaria sair com outras garotas e garotos e não se importaria em sumir por algumas horas, pra mais tarde voltar e ainda dormir contigo sem se importar com o bafo de alcool. é foda quando ela vem e te deixa alucinando sozinho, depois de dividir na noite anterior um lsd e algumas linhas de pó. quando ela aparece amarga, sem vontade de fuder e fica toda hora sussurando no teu ouvido pra não esquecer que ela ta ai, de mal humor e tpm. eu gosto da solidão, da companhia dela, mas quando ela vem e não faz nada, é foda meu camarada.

03/09/2009

agora já ta tarde pra voltar atrás, ainda bem

eu juro que eu tentei garota

eu tentei levar um vida normal
frequentar uma faculdade
ganhar um diploma e me mandar.

eu tentei
cheguei quase lá.
metade do curso e a bomba estourou

cinco dias numa semana
que me fizeram ir atrás do que quero

um compromisso de acordar
as dez da manhã pra escrever uma peça de teatro
de sair todas as noites e
tomar um porre
pra catar diálogos

depois dessa nada volta ao normal baby.
quando tu te da conta da merda
que anda fazendo
acordando cedo
refazendo leads
discutindo polítca sem garrafas
não garota, isso não é a minha vida não.

eu me mandei antes da hora
com o prazo vencido

chutei a faculdade pra longe
esmagei o despertador contra a parede
rasguei o meu curriculo de estágios
de assessoria pra servir café

garota eu me mandei dessa
garota,
eu não nasci pra acordar cedo