29 de mai de 2010

não não garota, todo dia não é sexta-feira

- ai meu, tu é pra casar
me disse ela na manhã seguinte
- olha só teus livros cara. Olha teus discos, teu gosto. porra!! olha esse teu quarto.
falava enquanto eu ainda tava atirado na cama.
- vamo casar?
perguntou entre um beijo e outro
- baby, é justamente por esse livros e discos que a gente nunca vai dar certo
ela só riu, meio que não entendo o porque daquilo.

26 de mai de 2010

one more cup of coffee...

depois de tudo
o que resta é
o teu cabelo ruivo no travesseiro
...os brincos ao lado da cama
o gosto da tua boceta
e aquela sensação de que
ainda não terminou

18 de mai de 2010

é meu camarada, a vida pode ser uma piada

o mundo resolve desabar em chuva bem no dia em que tu colocasse o guarda-chuva quebrado fora. Pela manhã, de ressaca de nada mais que uma noite mal dormida, cê da de cara com a garota que amasse no final de semana. Entre um café e outro ela pergunta se vocês se beijaram. Confessa, cê queria era mesmo dizer que não pra não passar por isso, esquecer e fingir que nada aconteceu. Mas você diz que sim e ainda faz uma piadinha bem cretina pra tentar disfarçar o clima. E ela não ri. O ônibus que você pega estraga no meio do caminho, e uma criança vômita no corredor. Cê fica na dúvida se convida a garota pra sair de novo. Mas você tava tão ou mais bêbado que ela, nada mais do que o normal não lembrar de nada. Mas, ah, fazia tempo que você não saia com ninguém, cê mentia que era só mais uma trepada, mas na real era o sexo que você não fazia há três meses. Era a porra do amor que você tanto tenta fugir. E ela não se lembra nem se te beijou. E no trabalho as coisas não vão lá bem como você imaginava. Carregar fitas pra cima e pra baixo não foi bem aquilo que você sonhou. E ainda chove lá fora quando chega as 23 horas e é só aguardar a carona. Mas hoje ela não veio. Claro, ela é muito mais que uma carregadora de fitas pra ficar num dia desses até essa hora na redação. O ônibus te larga o mais perto de casa, umas dez quadras e o mundo ainda desaba do céu. O boteco do caminho tá fechado, é terça e ele não abre em dias de muita chuva, cê sabe disso. A sua geladeira ta vazia e você esquece uma dose de whisky cheia de gelo derreter. Pra fumar nada, pelo menos você dorme esssa noite e não sofre com a asma. E ah, a previsão é que o tempo mude só a partir de sexta.

10 de mai de 2010

atraso tudo por nada

não podia ser mais clichê. Segunda feira ressacada, frio, cinza e chuva. Na cozinha-sala uma pilha de pratos e garrafas desalinhadas pela mesa. No chão da casa roupas tuas e minhas misturadas a cinzeiros revirados, livros, revistas e discos que a gente nunca escutou até o final. Acordo atrasado porque quero. Pego o ônibus lotado usando um vale transporte provisório do novo trabalho. Chego na faculdade e atraso minha vida em um semestre. Me arrependo dois segundos depois de assinar a autorização. Agora é um ano pela frente vivendo nesse eu-não-eu. Adiando as vontades, sofrendo essa depressãozinha fingida e ordinária que tem bem a minha cara. É difícil admitir a felicidade. É dificil acreditar que isso seja felicidade. Foda-se a felicidade se tu quer saber. Com ela ou sem ela eu adio minha vida usando uma desculpa qualquer, só pra disfarçar o tempo que ainda te quero ao meu lado.