22 de dez de 2009

hasta!

fui
daqui uns dias
         volto

15 de dez de 2009

#25

já tomei
dois banhos
e nos meus dedos
ainda exala
o cheiro da tua boceta

lembro dela molhada
e fedendo.
teus mamilos eram
levemente
salgados pelo suor

teu cabelo cheio
de nós
não deixava eu passar
a mão

tua boca exalava
um cheiro de vodka
cerveja e cigarros

e tudo ficou pior
depois de a gente trepar
por duas horas
no quarto fechado
enrolados em baseados
cinzas
fumaça
e gozo espalhado
pelo colchão e tuas
costas

13 de dez de 2009

#23

na boca
um gosto dum cigarro
que não fumei

é foda tentar levantar
as 3 da tarde
com o sol batendo na tua cara
e a cabeça ainda girando
e pedindo
pelo amor de deus
me da uma folga só hoje

mas a cerveja na geladeira
é sempre o melhor remédio
pra dias como esses

e tu fica o dia inteiro se arrastando
pela casa
na privada um cheiro de vômito
mas tu só imagina o que aconteceu

talvez o fato de ter acordado de manhã
estirado no chão do banheiro
responda algumas dúvidas

e a geladeira ta vazia
e não tomo banho faz três dias
cortaram a água aqui em casa
e a chuva acalmou lá fora

e ainda é um domingo
sem jogo do inter
pra ver

9 de dez de 2009

não é com um tiro que o dramaturgo vai cair, nem 3, 4, 5.......

a maioria deve saber da putaria que rolou em sampa esses dias, quando invadiram o Espaço Parlapatões afim de roubar o teatro (que porra é essa???) e acabaram levando um molho de chaves e a jaqueta do segurança. Mas o foda foi terem atirado no dramaturgo Mário Bortolotto e no desenhista Carcarah. Foram vários tiros, porém ambos estão se recuperando e em breve voltam a atividades de bares, teatros, shows e arte - ainda bem.

o Marcelo Rubens Paiva, no blog dele, atualiza o estado do bortolotto - que levou a pior. O cara tá bem, desentubaram e se recupera de todas cirurgias que teve que passar. E isso é bom pra caralho, porque iria ser foda ficar sem ver um bom blues da Saco de Ratos e não ver mais nenhuma peça ou escrito do cara correndo por ai.

esse texto é la do blog do Marcelo Paiva, duma jornalista do Estadão que resolveu aprofundar e mostrar que o bortolotto e sua arte não tem nada a ver com violência, como costumavam dizer algumas midias por ai.

e os amigos do cara estão fazendo várias eventos pra ajudar a familia dele com as despesas e pra conscientizar a galera do que anda ocorrendo nas ruas enquanto todos políticos e o escambau dormem o sonho dos (in)justos.
como dizem nas redondezas, a arte não pode parar.

Segue o texto:

Mario Bortolotto e violência: uma falsa associação
Título do blog 'Atire no dramaturgo' é homenagem ao livro 'Atire no Pianista', de David Goodis

Beth Néspoli, de O Estado de S. Paulo

A inquietação mais intensa diz respeito ao equívoco envolvendo o nome do blog de Bortolotto, intitulado Atire no Dramaturgo. Muitos se preocuparam em esclarecer a origem desse batismo, homenagem ao livro Atire no Pianista, do David Goodis. Trata-se de um romance policial que, por sua vez, remete ao cartaz NÃO ATIRE NO PIANISTA que podia ser lido nos saloons do Velho Oeste.

Outra fonte de equívoco talvez tenha vindo das imagens publicadas no blog de Bortolotto da peça Brutal, em cartaz no Espaço dos Parlapatões na madrugada do assalto. Sobretudo uma imagem, respingada de sangue, da atriz Maria Manoella. Mulher do ilustrador Carcarah, que também foi baleado, ela enfatiza: "a peça é um manifesto contra a violência."

Ainda assim, o tom de Brutal é quase exceção na vasta obra desse dramaturgo. Os personagens de Bortolotto costumam portar mais copos do que armas; há mais outsiders do que bandidos. Editadas, são 19 peças, em três livros de coletâneas. Quem se der o trabalho de ler verá que mesmo os bandidos, em sua maioria, como no velho oeste, orgulham-se de um código de honra no qual não cabe o ataque covarde.

Há quem compare Bortolotto ao Plínio Marcos, mas se há algo em comum, é apenas a compaixão pelo ser humano desgarrado. E só. São universos diferentes. Os personagens de Plínio Marcos lutam para se integrar. Gostariam de ter família, casa e carro, mas têm um impedimento de origem: a pobreza extrema. Por isso são trágicos, nascem marcados por um destino imutável. Querô, filho de uma prostituta que se matara tomando querosene e é criado num bordel, não pode conquistar nada na vida. Seu meio ambiente e seus recursos não permitem, ainda que ele tente.

Já os protagonistas de Bortolotto tornam-se marginais - no sentido de estar à margem, na periferia do sistema econômico - por conta de sua escala de valores. Eles recusam a ideia da conquista de um carro 4x4, roupas de grife, casa na praia e celular último modelo como sinônimo de sucesso. São marginais porque preferem a liberdade de não produzir em série numa esteira industrial, coisa antiga, ou de "serem produzidos em série", expressão talvez mais pertinente ao jovem trabalhador na atual sociedade de consumo digital. Uma dramaturgia assim nada tem a ver com o estímulo à violência, pelo contrário. Hoje em dia mata-se e morre-se por um "vai passando o celular" como disse o assaltante que atirou em Bortolotto, no testemunho de seu amigo Carcarah, também baleado. E Bortolotto, que não dá a mínima por um celular, reagiu, provavelmente pelos amigos.

Fiel ao que prega, ele não tem muitos bens materiais, apenas uma quitinete no centro da cidade, comprada com os direitos autorais pagos pelo ator Raul Cortez por duas de suas peças, seus livros e sua obra, essa última um bem 'apenas' simbólico, imaterial. Tem muitos amigos e de boa cepa. "Cuidado com a vaidade da dor", foi uma frase ouvida pela reportagem do Estado no sábado, na Santa Casa de Misericórdia. Havia ali um acordo tácito de não se gravar entrevistas para a televisão. Assim, evitou-se o espetáculo da comiseração e da solidariedade forçada. Carcarah, ilustrador, autor dos desenhos de capa de dois livros de Bortolotto, um deles Atire no Dramaturgo, compilação de textos do blog, hesitou em dar entrevista ao Estado depois de ter alta do hospital. "Pode dar a impressão de que estou querendo aparecer. Quem tem de falar é ele, quando estiver bom." Bortolotto pode não ter muito a esclarecer, mas vai saber que os valores de seu teatro têm ressonância. No mínimo, entre seus amigos, que não são poucos.
 

1 de dez de 2009

a ideia do mundo acabar ainda nos soa na cabeça e o Van Morrison numa tarde pode ser fatal

- escutar van morrison a tarde inteira não faz bem, a não ser que tu esteja bebendo ou muito tranquilo.

me alertaram hoje. Não tava bebendo, minha garganta ta me matando e engolir saliva já ta difícil pra caralho. Se bem que acredito que uma ceva gelada ou um whisky quente me faria muito bem. Também não tou na maior tranquilidade. tenho uns textos pra entregar pro jornal da faculdade - faz dois meses que não entro numa edição, acabo adiando as pautas ou sem vontade de escrever os texos, mas dessa vez mando de cara duas matérias pra agradar a professora e não ter que fazer isso semestre que vem, denovo. Ando com umas ideias na cabeça pra uns textos, não sei se só contos ainda ou algo maior. ainda tenho a ideia da peça "Poliana, a junkie" pra botar no papel também, fora que juntei vários textos aqui do blog e uns outros perdidos e coloquei tudo num livro: "Flagrantes de Adultério nos Motéis de Teresina". Tenho que trabalhar nele, cortar uns, acrescentar outros, fora que pedi pruns amigos desenharem nuns poemas. Larguei o livro nas mãos deles e disse pra se divertirem onde conseguissem. Gosto do desenho deles. Um é o Guilherme Dal Sasso, que desenhou a capa da última edição do Língua Pop, que aliás, não morreu como avisou o bruno num post lá no blog dele, só falta a gente voltar a passar a madrugada de bar em bar, estrela cadente pra estrela cadente, que pensamos em outras matérias e entrevistados e essas coisas lá da bagaça. Outro que pedi pra desenhar é o Leandro Selister, o cara que era responsável pelo Artewebbrasil, curto os traços dele. Vou ver, quando eles me mandarem uns desenhos e eu acabar de mexer nos textos, coloco pra baxar aqui no blog.

e conversando com o bruno daquela história do mundo acabar e não sei o que, que ele também já colocou no blog dele, na minha pira de que se tudo tivesse desmoronando no outro lado da rua só queria tá sentando num banco na beira da praia com uma cerveja estupidamente gelada olhando todo aquele caos, acrescento agora o Van Morrison no mp3. O bruno já preferiu um Guns, ou o Lewis ou até o Tom Waits pra quando ele voltar do banheiro e pegar uma garrafa de Jack Daniel's e se sentar na mesa do fundo do bar, vazio, com as portas ainda balançando porque o dono fugiu e ninguem mais ficou lá. E a gente ficou um tempo viajando nessas merdas que a gente sempre viaja e como é foda escolher um disco pra quando tudo tiver caindo ao teu redor. O que resta é torcer pra que as coisas não explodam tão rapido, que pelo menos de pra nós virarmos o lado do vinil.

Até que to tranquilo, mas como não o suficiente, e como o alerta me soou sério, vou dar uma volta aqui pela rua, botar a cabeça pra funcionar, comprar um pacote de salsicha pra encrementar na miojo, descolar uns latões de cerveja, mandar a dor de garganta pro espaço e baxar mais uns 6 discos desse irlândes fodido e passar a noite resolvendo essas coisas. Ou não, talvez fique só bebendo e curtindo o som, que já tá bom pra caralho também.