26 de fev. de 2009

"longe daqui aqui mesmo"

como seria se trocassemos desejos. como seria se deitassemos na cama, rolassemos no chão
como seria se abrissemos nossas calças. como seria se estivessemos nus, despidos de culpa, dúvidas
como seria se aceitassemos nossos corpos na cama
como seria nossas pernas enroladas, pele com pele, pelo com pelo, peito com peito
como seria se trocassemos promessas com as mãos, satisfazendo desejos
como seria
um beijo?
como seria provar nosso gosto, gozo
como seria o nosso sono, nosso sonho
como seria o encontro dos nossos pés
como seria teu sexo com o meu
como seria o teu gosto
como seria
a manhã seguinte?

5 de fev. de 2009

pro ego

foi minha mãe quem me deu o melhor elogio
dizendo que ela e o meu pai achavam meus textos uma falta de respeito!

30 de jan. de 2009

544 ap 12

casa nova
vida nova
porém,
os mesmos vícios

27 de jan. de 2009

vazio!?

20 de jan. de 2009

a cerveja acabou e nada vai bem #6

cara,

tu poderia aparecer aí
na cadeira da frente
do outro lado da mesa
nem que fosse pra nós ficarmos olhando pro nada

19 de jan. de 2009

de mim, as piores lembranças #2

num lado, ficam perguntando se já falei com ela, querendo saber se já me comprometi contigo

no outro, dizem que tenho medo, por que nao assumo o nada e não te dou sentido

e no meio eu
tentando ser o que sou

13 de jan. de 2009

a cerveja acabou e nada vai bem #2

eu preciso de uma noite daquelas
de bar em bar
de estrela cadente pra estrela cadente
de sinos da igreja tocando música de terror
d'agente pirando
como se fosse a primeira vez

8 de jan. de 2009

quando a canção acaba ela vira música #56

vem cá
vamos tomar uma cerveja
assistir algum filme do bertolucci
fumar alguns baseados
dormir junto

vem
já cansei da minha companhia

3 de jan. de 2009

notas de um padrinho bêbado #3

e a minha mãe tava ali dançando
era natal, acho que já era umas três horas da manhã e duas caixas de cereveja.
e ela dançava.
na mão taças, garrafas de cerveja e de champagne passavam e deslisavam de copo em copo
alguns fantasiados, algumas músicas ruins tocando e animando aquela "festa".
e ela dançava.
então chegou um tio meu e dançou com ela
e eles rodopiavam, riam, derrubavam as bebidas dos copos, das mãos e das mesas
e ela dançava.
e eles dançavam.
e aquele irmão dela gordo, escroto, politíco do PP, separado da minha tia que agora mora com uma mulher como nome flor
aquele tio dançava com a minha mãe.
girava ela e ria com ela e abraçava ela e a mão dele deslisava nas costas dela, apertava a bunda dela, entrava no vestido dela, masturbava a minha mãe.
e ela dançava.

e o meu dindo bebe outra cerveja
e tenta falar de literatura comigo.

22 de dez. de 2008

quando a canção acaba ela vira música #13

é que eu já te disse eu te amo
mas tu não entendeu

20 de dez. de 2008

uma carta

passo os dias bebendo, pensando em fumar e te esquecendo
até que tá melhor assim. eu aqui, tu em algum lugar qualquer
poderiamos pensar que foi bom enquanto durou, pelo menos em algumas de nossas transas, foi bom enquanto não terminava
é. na verdade eu sempre achei que ia terminar assim, eu passando de otário, medroso, fugindo, não querendo nada
fazer o que se a vida me reserva as piores lembranças possíveis.
pelo menos voltei a me apaixonar por várias nas paradas de onibus.
quer saber, eu gosto de ti. mesmo. pra caralho
mas não rola. nosso caso só vai ser bom quando depois da foda, fumarmos um grande baseado e se despedirmos até amanhã, ou outro dia em que nós nos necessitarmos.
porque a gente não se precisa todos os dias, e isso que é o bom da nossa relação. meses sem se falar, sem se ver, até que num dia, agente resolve se encontrar.
por uma noite, duas quem sabe. mas deu. o bom nosso é a distância. e a aproximação depois de se perder
mas agora eu tenho que ir. a pizza tá queimando, a campainha tocando e a cerveja já terminou.
um beijo
nos vemos quando for a hora.

18 de dez. de 2008

pensar pra não esqueçer

durante vinte anos
decidiram não abrir os olhos

durante vinte anos
tiveram os olhos cobertos

durante vinte anos
enchergavam apenas um lado

durante vinte anos
olhavam e não viam nada

durante vinte anos
os olhos serviram para chorar

durante vinte anos
olhos foram furados
as bocas costuradas
e os ouvidos abafados

agora
à quarenta anos
querem nos fazer olhar pra frente
enquanto
mais uma vez
matam nosso passado

*13/12/2008

9 de dez. de 2008

doismilepouco

filho
onde tu vais andar
se as pedras que tu pisa
já não estão no seu lugar

filho
o que tu vais comer
se a comida que te dão
já não te alimenta mais

filho
o que tu vais fazer
se o mundo em que tu vives
já não existe mais

filho
porque parar de sofrer
se a garota que tu amas
já não te beijas mais

filho
porque continuar a ler
se os jovens com quem tu andas
já não lutam mais

filho
porque um filho ser
se o mundo em que vives
não te faz crescer

filho

não deixes de viver

30 de nov. de 2008

gil

lendo o bivar as sensações mudam, ou voltam, não sei
mas é bom pra caralho!!!

"É a mesma dança na sala, no Canecão, na TV
E quem não dança não fala, assiste a tudo e se cala
Não vê no meio da sala as relíquias do Brasil"

25 de nov. de 2008

bruno bandido

"segunda-feira, dia primeiro de dezembro, entra no ar um novo site. quer dizer, um novo velho site. ele tem uns oito anos, mas sempre foi só de artes plásticas. o responsável é o artista Leandro Selister. que chamou seu sobrinho Ricardo Ara pra modificar o esquema. transformar o artewebbrasil. o Ara chamou eu e o Thiago Couto pra levar o projeto adiante. mudaremos o site. irá tirar o foco das artes plásticas e passará a dialogar com todos os tipos de expressões artísticas e cultura pop. na primeira leva, vocês poderão ler uma matéria sobre o Instituto de Artes da Ufrgs e reflexões sobre a arte, que o Couto e o Ara escreveram provocantemente. também estará lá uma longa conversa que o Ara e eu tivemos com Yanto Laitano na lancheria do parque. entrarão uma série de textos de colaboradores: o próprio leandro selister acho que vai escrever, a carol lá da argentina ficou de mandar umas matérias, eu vou botar um texto sobre o Tarso de Castro… e vai ter mais gente que vai escrever aí… e o que eu acho mais divertido é que todos os dias de segunda a sexta, terá uma tirinha nova, de uma boa equipe de 5 novos e excelentes cartunistas brasileiros. ah, e eu, como na segunda não vou estar mais no país, vou mandar de vez em quando textos que falem da minha viagem e coisas do tipo. o mais importante é que quem quiser colaborar, vai poder, mandando textos ou matérias que fazem sobre qualquer coisa de qualquer cidade. por isso, a partir do dia primeiro, entrem no artewebbrasil! "



16 de nov. de 2008

até mais tarde

essa noite eu tomei banho pra ficar em casa
não liguei pros teus convites, não atendi tuas chamadas, não vi tuas mensagens
liguei pra alguns amigos que me disseram não
outros não estavam na cidade
e outros nunca foram daqui.
essa noite coloquei uma calça nova, o mesmo tênis velho
e acabei com a garrafa de vinho que comprei pra nós
rolava na cama sozinho, cantando alguma música da minha festa que só eu fui
essa noite eu sai pra caminhar, pra beber em algum bar, pra beijar em algum lugar
troquei conversas comigo mesmo, escolhi os discos que iriam tocar
e essa noite acabou comigo em casa
sozinho
com dois copos sujos de vinho
um cinzeiro virado na mesa
e eu dançando desengonçadamente uma música do cazuza ao amanhecer.

26 de out. de 2008

quando a canção acaba ela vira música #4

faz dois dias que não durmo em casa. dois dias que não troco a roupa.
há uma semana minha garganta sofre. uma inflamação que acaba comigo, não me deixa falar ao acordar.
há uma semana tento melhorar tomando cervejas geladas, whiskys baratos e tragando a fumaça dos baseados que insisto em fumar.
há uma semana chove nessa cidade. meus tenis estão molhados, meu guarda-chuva estourou em algum vendaval.
há uma semana ando com a calça rasgada.
há uma semana decidi largar a faculdade. mas mesmo assim estou a uma semana lendo todos os textos, fazendo todas as provas, entregando alguns trabalhos.
faz uma semana que conheci pessoas novas.
faz uma semana que não durmo direito. que acordo no meio da noite. que vou deitar na madrugada. que o meu despertador é ignorado.
faz uma semana que não falo contigo. faz vinte anos que eu enjôo das pessoas.
faz uma semana que tu pensa em como me chamar de medroso, de criança.
há uma semana eu não paro. não durmo. não leio um livro. não vejo um filme.
faz uma semana que tu quer alguma satisfação. que tu quer a resposta da mesma pergunta que tu me faz a dois anos.
faz um dia que tu me chamou de criança. querendo falar sobre amor por email. por mensagens anonimas.
faz uma semana que vivo num caos.
faz um dia que tu estampa na minha cara que tenho medo
é que não consigo amar intensamente, quando não te gosto o sufuciente.
faz dois meses que tu considera o que escrevi a três meses atrás.
faz dois meses que estamos tentando. e faz uma semana que desisti.
faz uma semana que eu tô cansado. que não acho sentido pra tanto tempo perdido.
faz uma semana que sou criança, por não querer mais estar contigo.