15 de mai. de 2009

aquela velha história

hoje falei com uma amiga que não via a um longo tempo. hoje tá chovendo aqui. e hoje me deu uma puta vontade de sair e de ter todas aquelas noites de volta. mas é ruim sair quando tá chovendo. e quando tu conversa com uma velha amiga

14 de mai. de 2009

das noites sem dormir

meu sangue tá fervendo!
nunca fumei na casa dos meus pais. Fazia o possível também pra fumar quase nada enquanto eles estavam por perto. Mas agora moro sozinho à três anos, vejo eles poucas vezes e sempre consigo uma caranga ou uma companhia pra fugir. Mas hoje não, tava em casa só com a minhã mãe, na minha casa. Tudo muito estranho, não sabia bem o que fazer e que costumes esconder.
Não adiantou, ela foi dormir e eu enrolei o baseado. Fui pra sacada, fechei a porta e fumei sozinho, ouvindo o sussuro que saía das caixas de som ligadas lá no meu quarto, vendo estrelas e sentindo o calor do ar naquela noite de verão.
Voltei e a adrenalina a mil. Poucas vezes foi tão escancarado o estado de loucura que me encontro quando sei que eles estão tão perto - aqui no quarto ao lado, a nem 15 passos de distância, uma parede pra tapar o som.
Delírios misturados a fanstasmas, a premonições e a longas risadas abafadas no travesseiro.
Tudo bem eu pensava, se acontecer algo não pode ser tão ruim, não pra mim, não agora. E continuei. Aumentava aos poucos o volume das canções, caminhava mais pelo quarto, chegava na janela, parava cada vez menos. Na cozinha pra pegar uma cerveja, no banheiro pra rir da minha cara no espelho, na sala pra buscar um novo disco, ligar a tevê e passar todos os canais sem nem os ver, dedilhados suaves no violão. Tudo está bem, tudo está bem. Equanto uns dormem, outros não...

7 de mai. de 2009

quando a canção acaba ela vira música #31

procura-se uma garota
de pernas e pés bonitos
e que também
me de um pouco de carinho

5 de mai. de 2009

eu não me lembrava como era essa vida, mas ela volta, ela sempre volta

fazem cinco dias que ando por ai apenas com sete reais. é que desde que fui demitido não arrumei ninguém que pagasse pelas minhas idéias de trabalho. é bem verdade que não fiz muita questão de procurar, mas uma resposta negativa já meu deu a real. Meus pais viajaram, e como não tenho mais dinheiro tenho que voltar a viver das custas deles, e como já disse, eles viajaram, não me deixaram nada. Não sei quando eles voltam. Também não quero interromper. Pareçe que eles estão comemorando os vinte e cinco anos de casados e eu só existi depois de algum tempo disso, então é melhor deixar eles imaginarem como se fosse ha vinte cinco anos atrás, só os dois. Enquanto isso vou vivendo com esses sete reais, comendo pasteis baratos da Lancheria, me servindo de amigos para me pagarem uma bebida e levando.
A minha casa tá um lixo. garrafas de cerveja e cerveja pelo chão. cigarros, cinzeiros espalhados por todos os lados. meu vaso entupiu e a resistência do meu chuveiro estragou. Um balde de roupa suja e uma pilha de pratos pra lavar. geladeira vazia. Minha vida anda num pequeno caos desde que perdi o emprego. Não leio mais jornal - isso talvez para um jornalista não pegue tão bem. No site que estamos fazendo aproveito as entrevista para filar alguns cigarros e as vezes cerveja. um hollywood mentolado foi o último que consegui, valeu reny. é verdade também que as vezes me sinto sozinho vendo um filme, ou na cama acordado de madrugada. mas as coisas não andam ruins. muito pelo contrário, até to pensando em mudar de nome.

1 de mai. de 2009

me roubaram alguma coisa e ainda não sei o que é

e esses dias eu roubei um livro, Tristessa do Kerouac. Fiquei entre ele, um do Bukowski e um de quadrinhos do Laerte. O do velho buk era o mais caro, uns dezesseis reais. o do laerte acho que era uns nove. e o do kerouac uns oito. fiquei na fissura de pegar o bukowski. primeiro roubo, de cara um bukowski fudido, seria de mais. mas acabei pegando o kerouac, o mais barato, o que fala da Tristessa.
depois, outro dia, quando comprava uma carteira de cigarro roubei um babalu, o rosa, de tuti-fruti. fazia acho que uns cinco anos que não comia um babalu. masquei o chiclé, bom pra caralho continua o babalu.
e hoje, depois da tarde bebendo vinho e recebendo gente na minha casa, perdi cinquenta reais. ele ficava dentro de uma gaveta no meu quarto. lembro de ter comprado comida uma noite antes e só, até então ainda tinha cinquenta reias. e quando fui sair, hoje de noite, a grana sumiu. tinha um amigo aqui em casa. reviramos meu quarto, tudo abaixo atirado no chão. e nada. só me restava aquela nota de dez e uns trocados de dois.
sai. aniversário de uma amiga num bar meio mpb, pagação de pau pro chico buarque. sem grana suficiente, bebi o que dava do meu e o que não dava dos outros. conversas com pessoas novas. amigos de viagens passadas. e o cara que conhecia e que nos encontramos agora no psicólogo.
mas na verdade tudo que eu queria era que tu deitasse aqui, em cima de mim, daquele tipo meio atirada, meio abraçada. só, e talvez um pouco mais.

23 de abr. de 2009

uma garrafa de vinho depois
cá estou eu
deitado no chão
ao teu lado

22 de abr. de 2009

doquererser

ando numa crise artística
sem nem mesmo artista ser.
Querendo ser poeta,
escritor
..ou qualquer coisa que o valha,
sem escrever.
curso uma faculdade sem rumo,
..ao meu ver.
recebe elogio de um ou dois textos
, brinco de já ser.
me coloco de mais no futuro
, e esqueço de viver

21 de abr. de 2009

mais uma dose

quase morri de frio ontem a noite. é verdade que poderia ter morrido de overdose ou por um coma alcólico também. mas o frio tava de matar. é que fui pra carlos barbosa no feriado. carlos barbosa é uma cidade na serra do rio grande do sul com pouco mais de vinte mil habitantes e alguns verdadeiros amigos e que faz frio pra caralho no inverno - e outono também pelo jeito. fui pra lá conversar com meus pais, discutir algumas pendências no relaciomento e, puto da cara após isso, voltar na manhã seguinte pra porto alegre. só que acabei ficando os quatro dias do feriado lá.

como de costume, chego direto na casa de um amigo. enrolamos um baseado e saimos pela cidade caminhando, conversando e encontrando sempre as mesmas pessoas. aliás, aquela cidade é sempre a mesma coisa. mas esse feriado serviu pra eu perceber que minha memória só dura três anos. não me lembro como era em 2005, quando ainda morava lá por exemplo. e não é esqueçer os anos ou os acontecimentos, me esqueço, esqueço de como eu era, o que fazia e como falava. não lembro de nada e fico imaginando como os outros me viam. porque pra mim mudei, apesar de chegar lá e sempre fazer as mesmas coisas.

desisti disso na segunda noite, foda-se como eu era e o que mudei de lá pra cá. agora to aqui, desse jeito e é assim que nós vamos sair essa noite. mas não vou ficar aqui contando do feriado. das tardes rodando pela cidade de caranga ouvindo um som, tomando um chimas e fumando um baseado. das noites regadas a vinho, das conversas sem sentidos, dos risos altos, de não largar tudo, nem carreira nem dinheiro e muito menos o canudo. das idas as cidades vizinhas, das velhas pessoas novas todas as noites, do frio que mata. não vou contar tudo. só o domingo.

o domingo que acaba as 4 e meia da tarde, no ensaio da minnha ex-banda, o onibus partindo as 10 pras cinco e eu cantando por que a gente é assim...

14 de abr. de 2009

o dia em que perdi o emprego #1

fui demitido hoje. culpa da crise, a econômica. conversamos por horas, recebi o dinheiro que tinha que ganhar e fui embora, era umas 4 e meia da tarde. no caminho entrei num estúdio de tatuagem. fazia uns três anos que decidira fazer uma tatuagem, o desenho já tinha sido escolhido, só faltava o lugar - do meu corpo, não o estúdio. nos últimos meses andava com o desenho sempre na mochila, mas nunca tinha me animado a fazer. entrei, perguntei quanto custava, vi que o dinheiro que ganhara cobria a tatuagem e ainda sobrava alguma coisa, afinal, era só o dia 15 do mês.

- No braço, eu disse, e o cara foi lá desenhar pra ver se eu aprovava. não passou trinta minutos e ele já enrolava aquele papel transparente em mim e dava algumas recomendações quanto ao sol e outras coisas. ficou legal. doeu um pouco, mas ficou legal.

sai do estúdio e entrei no primeiro bar que vi na esquina. comprei umas latas de cerveja e na hora de pagar, mesmo destro, usei o braço esquerdo - queria mostrar a tatuagem. a atendente deu uma olhada mas em nada reagiu. tudo bem, aquilo era pra mim mesmo. peguei as cervejas e fui pra casa, meu braço ainda latejava um pouco, meu bolso reclamava demais em minha cabeça e a cerveja gelava no congelador. tudo vai bem, pensei. ainda tenho uns trocados e uma tatuagem.

9 de abr. de 2009

sobre a 116

ontem eu pensava em 2011. na viagem que eu e o bruno iremos fazer. idéia dele, uma grande idéia. atravessar a br-116, de jaguarão a fortaleza, sem tempo, sem previsões. tava pensando na loucura que vai ser. nas pessoas que vamos conhecer, nos lugares, nas experiências, em tudo. um misto de ansiedade e medo me bateu ontem ao pensar em tudo isso. deixar pra trás porto alegre, amigos, família e tudo o mais. não é pra sempre, mas vai ser por um longo tempo.
isso me assusta, mas também me anima.

e ontem, quando pensava em tudo isso, lembrei da chave de casa, a chave do apartamento 12 do prédio 544. esse lugar que a pouco tempo existe mas já tem várias histórias e que um dia pretendo contar. tava pensando no que fazer com a chave do ap, afinal ela é única. não existe cópia, ninguém mais a tem. pensei em levá-la junto na viagem, atirada num bolso fundo da mochila. ou então deixar ela aqui em porto alegre mesmo, nas mãos de alguém, de algum amigo. ou ainda deixar com os meus pais lá em carlos barbosa, porque meus pais são a minha familia e pra familia, cedo ou tarde, agente sempre volta.

pensei em tudo isso porque se eu levá-la junto provavelmente a perco, junto com a mochilha em alguma ocasião. fora que a probabilidade de roubarem todo o pouco que tivermos é grande, e assim, lá se vai a minha chave junto. e eu não quero voltar aqui, não sei quanto tempo depois, e ter que pedir para um chaveiro arrebentar a minha porta, não é essa a recepção que espero ao entrar em casa. só quero abrir a porta, pegar uma cerveja que deixarei estratégicamente guardada e me atirar no sofá da sala e rir de tudo que iremos passar.

e fiquei horas pensando no que fazer com ela: deixar com o couto, com a carol, com o leandro, com o guilherme, com a alice, com o feli, com o jones, com minhas primas, tias, esconder ela em algum lugar - idéia estupida, lógico. sei que não cheguei a conclusão nenhuma. mas sei que vou fazer uma cópia e mandar lá pra carlos barbosa, porque, do jeito que seja, meus pais vão estar ai quando voltar.
mas a minha chave, essa, eu levo comigo, lá no fundo da mochila.

2 de abr. de 2009

a duas doses abaixo
estou
agora
vem cá
e senta do meu lado

30 de mar. de 2009

depois do bar, lá em casa, nos dois...

eu queria que tu estivesse aqui
ou alguém qualquer
mas que alguém estivesse aqui
é que eu tava naquele bar bebendo. como agente sempre fez
e eu voltei pra casa e confesso, estou meio bêbado, e sozinho
e queria que tu estivesse aqui pra ficarmos transando a noite inteira, bebendo mais um pouco, fumando alguma coisa e lembrando de como eramos ridículos antes de tudo isso.

27 de mar. de 2009

544 ap 12 - #2

e quando eu voltei pra casa, depois de termos saido do bar, eu abri a garrafa de whisky que tu me deu e bebi toda, esperando que tu voltasse atrás e tocasse a campainha dizendo que tinha desistido e queria subir. mas isso não aconteceu. eu fiquei até as cinco horas da manhã esperando pra ver se isso acontecia e nada, nada, nem um ligação ou uma mensagem. um grande cretino eu, esperando que tu venha atrás depois de tudo o que aconteceu. mas fazer o que, a canalhice as vezes é uma simples defesa.
e então eu durmi, bêbado, de roupa no sofá da sala. na minha cabeça alcóolica se afogavam desejos e curiosidades de como seria se tu tivesse voltado; e saudades dos amores feitos no carnaval, há dois dias atrás.
e quando acordei, já com o pouco de luz que entra nesse apartamento direto nos meus olhos, vi a garrafa de whisky no chão, os cinzeiros cheios, as latas de cerveja na mesa, o baseado fumado em cima duma capa de disco e agradeci, agradeci por ter acordado sozinho, apenas com o que sobrou pra servir de lembrança.

23 de mar. de 2009

do nosso amor e odio

a pior coisa que tu fez foi chegar aqui em casa, na noite do meu aniversário, com três garrafas de vinho, bebermos duas e ai tu quebra o abridor na segunda garrafa, acaba com ela e vai embora. Tu sabe que ando sem dinheiro e que preciso beber no minímo todas as noites. Tu sabe que a minha garrafa de whisky tá nas últimas e que eu prefiro a ressaca de vinho, por pior que seja. Tu sabe e ainda me deixa em casa com uma garrafa de vinho e um abridor em duas partes que não serve pra nada. Como se não bastasse tu anda questionando a minha masculinidade pra deus e pro mundo só porque algumas noites não quis transar. Preferia fumar aquelas porras de baseado e ficar te olhando falando um monte de merda e depois rindo de tudo aquilo. Ou ficar olhando a tua cara, com um sorriso na boca meio desconcertante querendo saber se hoje eu te beijaria e se te comeria, com amor ou não. E tu ainda fica me chamando de menino por não querer te ver todas as noites ou acordar contigo todas as manhas. Tu sabe de tudo isso e me deixa em casa com a porra daquela garrafa de vinho, sem um abridor. Logo eu que te fiz começar a beber e agora tu bebe todas as noites, tu me deixa em casa sem dinheiro e com uma garrafa de vinho em que não posso tocar.. Fazendo cinema ou fazendo cena, tanto faz - amanha te ligo e peço um abridor.

6 de mar. de 2009

por aí

saindo do cinema. bebendo uma garrafa de vinho sem rótulo, enrolada numa sacola de papel marron. fumando um cigarro. andando nas ruas do centro de porto alegre. dez e pouco da noite com uma fina chuva e até um pouco de frio, a seguinte conversa:

bruno - bah, to escrevendo muito ultimamente, lendo muito, bebendo muito. também né, não fui pra aula nenhum dia até agora.

ricardo - puts, eu não to escrevendo nada, lendo muito pouco e bebendo como sempre. também, fui na aula quase todos os dias até agora

...

26 de fev. de 2009

"longe daqui aqui mesmo"

como seria se trocassemos desejos. como seria se deitassemos na cama, rolassemos no chão
como seria se abrissemos nossas calças. como seria se estivessemos nus, despidos de culpa, dúvidas
como seria se aceitassemos nossos corpos na cama
como seria nossas pernas enroladas, pele com pele, pelo com pelo, peito com peito
como seria se trocassemos promessas com as mãos, satisfazendo desejos
como seria
um beijo?
como seria provar nosso gosto, gozo
como seria o nosso sono, nosso sonho
como seria o encontro dos nossos pés
como seria teu sexo com o meu
como seria o teu gosto
como seria
a manhã seguinte?

5 de fev. de 2009

pro ego

foi minha mãe quem me deu o melhor elogio
dizendo que ela e o meu pai achavam meus textos uma falta de respeito!